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ABC Curve for Stock Management: A Review of Literature in Case Studies in the South, Southeast and Northeast Regions of Brazil

CASTRO, Ivanilson Silveira de

FLAUZINO, Thiago de Souza

LOURENÇO, Matheus

SANTANA, Alex

PEREGO, Bruno E.

Resumo: O sucesso empresarial depende muito da forma com que seu estoque é gerenciado, isso porque, se mal administrado, representa um capital investido que não demonstra retorno. Nesse sentido, a curva ABC permite, quando realizada adequadamente, inferir economias à organização. Com isso, esta pesquisa exploratória de caráter qualitativo fez uso de materiais publicados entre os anos de 2002 e 2018 no idioma português, tendo por objetivo avaliar o uso da curva ABC pelas empresas, no sentido de aprimorar seus processos priorizando os pontos que lhe são críticos. A justificativa para essa abordagem se deve ao fato de que as empresas precisam garantir sua participação no mercado, o que pode ser possível por meio de tecnologias lhe tragam ganhos. Por meio do estudo, foi possível concluir que ainda há considerável desconhecimento da ferramenta por parte das empresas, o que lhes impede de obter ganhos satisfatórios, seja sob a perspectiva financeira ou de satisfação de seu cliente. Sendo assim, é preciso que as mesmas adotem a curva ABC para auxiliá-las, com capacitação de pessoal para realizá-la ? e mantê-la ?, bem como contar com o amparo dos funcionários para comunicar os itens estocados, fatores estes que podem garantir seu sucesso no mercado.

Palavras chaves: Curva ABC, Gestão de estoque, Prioridade na gestão.

1. Introdução

Ao longo da história humana, foram muitas as transformações que ocorreram em meio à civilização para sua evolução, seja no campo da tecnologia, da agricultura, da saúde, da infraestrutura urbana ou da indústria. Esta, em especial, passou por muitas mudanças durante seu desenvolvimento até a forma com que é conhecida atualmente, inclusive nos aspectos que lhe auxiliam a sobreviver num mercado cada vez mais competitivo e conquistar do mesmo uma maior fatia de participação. Dentre esses fatores estão envolvidos o tempo de processo em que a produção é realizada, a qualidade de serviço prestado ? ou do produto fabricado ?, otimização de produção e controle de estoque, por exemplo, isso porque os mesmos estão diretamente relacionados ao sucesso empresarial. Quando estão interligados, num menor custo de produção e com maior racionalização, seus ganhos são satisfatórios.

Isso pode ser corroborado pelo que afirma Gentil (2017), ao citar que, com o tempo, as organizações necessitaram tornar seu sistema produtivo mais flexível, por conta de, assim, atender um mercado dinâmico e com foco no consumidor. Suas respostas, nesse sentido, precisaram ser mais rápidas e apresentar um volume de produção conforme as vendas sem que, com isso, desconsiderassem especificação e qualidade .

Fiirst (2016) complementa o supracitado, ao citar que qualquer porte de empresa conta com alterações radicais em seus processos internos, principalmente no que concerne à gestão de estoques. Isso porque seu potencial competitivo é expresso pelo oferecimento de produtos e serviços com melhores preços à disposição.

Lyra e Lazer (2017) afirmam, por sua vez, que os custos são a maior preocupação das empresas atualmente, principalmente no que diz respeito ao estoque, o qual pode significar capital estagnado ou até mesmo inexistente por conta de falta de controle. Sendo assim, gerenciá-lo permite que o mesmo funcione de maneira eficiente e organizada, inclusive por meio da ferramenta denominada curva ABC.

Considerando que Rezende et al. (201-) afirmam que as empresas necessitam aplicar ferramentas que lhe tragam ganhos, Lyra e Lazer (2017) defendem que a curva ABC mostra-se uma ferramenta necessária para que a gestão de estoque seja realizada de forma a otimizar o espaço físico, haja diminuição dos custos e seja feita a análise minuciosa dos itens que devem ser mantidos no estoque, bem como aqueles de segurança, pelos quais se gera menos trabalho com movimentações e, consequentemente, melhora os investimentos empresariais.

Com isso, o presente estudo tem, como justificativa, o uso da curva ABC para controle de estoques, uma vez que, num acirrado mercado, as empresas vem perdendo participação por conta da elevada concorrência. Se com o devido planejamento, uso de tecnologias e ferramentas que lhe auxiliam no processo, a exemplo do estoque, podem otimizar suas vendas, seu espaço físico e ganhos, elevando sua condição financeira e aprimorando seu funcionamento.

Isso porque, seja qual for o porte da empresa, sua atividade propicia a circulação de riquezas pelo território nacional, o desenvolvimento de tecnologias, a propagação da solidariedade, proteção ao meio ambiente, promoção da justiça social e redução das desigualdades sociais (LEAL JÚNIOR, 2011), fatores estes que permitem afirmar que esta é a instituição que mais influencia a sociedade industrial de atualmente, até mesmo porque muitos dela dependem: seja para emprego, por ser fornecedor de bens e serviços e para atender demandas apresentadas pela população, como por exemplo, de lazer e alimentação (RICHERS, 2005).

Por isso, considerando a importância que as empresas têm no mundo moderno, diante de seu papel ambiental, social e econômico, tal pesquisa objetivou avaliar o uso da curva ABC pelas empresas, no sentido de aprimorar seus processos priorizando os pontos que lhe são críticos. Tendo por objetivos específicos explanar a respeito da gestão de estoque, da curva ABC e dos casos em que houve uso da curva para melhoria organizacional ? nas Regiões Sul, Sudeste e Nordeste ?, pretende-se, com isso, concluir que a mesma se faz necessária cada vez mais na rotina de uma empresa, sem a qual pode-se enfrentar dificuldades e perda de investimento.

2. Metodologi a

Para atender o proposto, a metodologia utilizada teve, por base, uma inicial delimitação do tema, pois, como afirma Severino (2002), o trabalho científico requer um foco específico, para o qual se torna necessário uma familiarização por meio de levantamento de dados já publicados. Com isso, torna-se possível desenvolver, de maneira dissertativa, as metas inicialmente estabelecidas.

Enquanto que a pesquisa exploratória é aquela que remete à familiarização do assunto por meio de obras já publicadas (GIL, 2007 apud GERHARDT; CÓRDOVA, 2009) ? pela qual se visa o desenvolvimento de hipóteses e proposições pertinentes ao tema, a partir do questionamento ?o que? (YIN, 2001) ?, a qualitativa é aquela em que ocorre posterior análise dos resultados obtidos (AUGUSTO et al., 2013).

Sendo assim, o presente estudo se caracterizou como de caráter exploratório e qualitativo, considerando as obras que estivessem dentro dos anos de 2002 e 2018 e somente no idioma português. Os demais materiais que não se enquadraram nesses parâmetros foram descartados, bem como não foi preciso pesquisa em campo por conta de se tratar de uma revisão de literatura.

A partir dessa delimitação, foram selecionados 22 materiais, dentre os quais estão inclusos monografias para defesa de grau ? para obtenção de título de Bacharel e Tecnólogo ?, periódicos, livros e trabalhos apresentados em encontros científicos, sendo possível observar pelo Gráfico 1 a quantia de trabalhos utilizados de acordo com o tipo.

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Gráfico 1 ? Obras utilizadas no estudo

Fonte: Elaboração própria (2019).

Dentre os conteúdos selecionados, e considerando o intervalo de tempo previamente estabelecido para a busca do referencial teórico, apenas um dos 22 materiais não tinha data de publicação, embora possa-se inferir que tenha ocorrido entre os anos de 2010 e 2018. Os anos que contribuíram com o estudo constam no Gráfico 2, pelo qual é possível perceber uma maior colaboração com conteúdos publicados nos últimos 4 anos, ou seja, entre 2011 e 2018.

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Gráfico 2 ? Intervalo de tempo das obras utilizadas no estudo

Fonte: Elaboração própria (2019).

Em relação apenas às obras que trataram das ferramentas organizacionais para a otimização de seus processos, como por exemplo, do Lean Manufacturing e Curva ABC, o Quadro 1 apresenta os dados das fontes utilizadas e o segmento de que se tratou a abordagem.

Quadro 1 ? Abordagem dos autores utilizados no estudo

Fonte

Obra

Segmento organizacional

Dantas (2015)

A importância do controle de estoque: estudo realizado em um supermercado na cidade de Caicó/RN

Supermercado

Fiirst (2016)

O método de classificação ABC na gestão de estoque: o caso de uma pequena empresa no ramo de autopeças automotivas

Comércio automotivo

Gentil (2017)

Implantação da Produção Enxuta: Análise de modelos e práticas na indústria automobilística e na construção civil

Indústria automotiva e construção civil

Lyra e Lazer (2017)

A importância do controle de estoque, utilizando o método de curva ABC, em uma concessionária de veículos na cidade de Botucatu-SP

Concessionária automotiva

Melo et al. (2016)

Gestão de estoque e curva ABC: estudo em uma concessionária automotiva

Concessionária automotiva

Oliveira (2011)

Curva ABC na gestão de estoque

*

Palomino et al. (2018)

Aplicação de curva ABC na gestão de estoque de uma micro empresa de Aracaju-SE

Alimentício

Pereira e Vernini (2017)

Gestão de estoque utilizando curva ABC em uma empresa de materiais de construção na cidade de Botucatu-SP

Material de construção

Perito e Schneider (2016)

Análise da gestão de estoque em uma unidade fabril de esquadrias de alumínio

Esquadrias de alumínio

Pontes (2013)

Gestão de estoques: utilização das ferramentas curva ABC e classificação XYZ em uma farmácia hospitalar

Farmácia hospitalar

Rezende et al. (201-)

Lean Manufacturing: redução de desperdícios e a padronização do processo

*

Santos et al. (2012)

Análise da utilização de ferramentas de gestão de estoque em uma empresa produtora de bebidas, como auxílio à gestão da logística de materiais em um cenário de demanda variável

Bebidas

Silva, Mateus e Silva (2016)

Análise de sistema de estoques por meio de análise de curva ABC e giro de estoque: um estudo de caso numa organização hospitalar pública

Hospital público

Soratto (2014)

Uso da curva ABC como ferramenta de gerenciamento de estoque em uma empresa de comercialização de insumos metalúrgicos localizada em Criciúma - SC

Comércio de insumos metalúrgicos

Souza e Mello (2014)

Gestão de estoques e amarzenagem: estudo de caso na empresa Tito Embalagens na cidade de Lins/SP

Embalagens

Souza et al. (2007)

A importância da gestão de estoque no resultado gerencial

*

Suski e Kurth (2018)

Estudo de caso de implementação de curva ABC para organização de estoque de loja de ferragens

Comércio de ferragens

Legenda:

* Obra que tratou-se de uma revisão de literatura sem distinção de determinado segmento organizacional.

A partir dos dados supracitados, tem-se o Gráfico 3 com as informações específicas sobre os locais em que ocorreram as publicações, em que nota-se uma maior contribuição daqueles que ocorreram nos Estados de São Paulo e Santa Catarina.

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Gráfico 3 ? Local de publicação das obras utilizadas no estudo

Fonte: Elaboração própria (2019).

Minayo (2007 apud GERHARDT; SOUZA, 2009) afirma que a metodologia concerne sobre a validade do roteiro que se pretende seguir para atingir determinados objetivos da pesquisa e, assim, Yin (2001) cita que alguns dos métodos para tornar isso possível baseiam-se em experimentos, levantamentos, análise de arquivos, pesquisas históricas e estudos de caso.

Nesse sentido, pode-se mencionar, por fim, o método de que tais obras consultadas para o estudo fizeram uso para sua abordagem, diferenciando-se em estudos de casos e revisão de literatura, sendo possível notar pelo Gráfico 4 que os primeiros tiveram considerável representatividade.

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Gráfico 4 ? Métodos utilizados pelas obras consultadas no estudo

Fonte: Elaboração própria (2019).

Portanto, pode-se concluir que grande parte do conteúdo selecionado teve, por base, aqueles apresentados em simpósios, encontros científicos, jornadas, workshops e congressos, entre os anos de 2015 e 2018, bastante relacionados ao setor automotivo, com representação dos Estados de São Paulo e Santa Catarina e que tenham sido estudos de caso. Isso torna-se relevante, ao presente estudo, já que tratam-se de temas conceituados na área devido à sua participação em anais, recentes, relativamente próximos à região do próprio estudo quanto à localidade, de segmento de extrema importância e, por fim, por se tratarem de pesquisas realizadas em campo e a partir de casos reais de aplicação das ferramentas aqui também presentemente abordadas.

3. Referencial teórico

3.1. Gestão de estoque

Conceituando a palavra estoque, tem-se que é o conjunto de bens armazenados que, com características próprias, atendem a demanda apresentada pela empresa. Contudo, o termo pode ser definido não apenas como gerenciamento, armazenamento e controle, mas sim também como um fator que impulsiona a vida de uma organização, mesmo que de maneira incorreta. Se realizada de forma correta, no entanto, propicia à mesma que se torne competitiva (MOURA, 2004 apud FIIRST, 2016).

Dias (2012 apud LYRA; LAZER, 2017), por sua vez, conceitua gestão de estoque como o planejamento e controle de itens para rapidamente realizar a reposição, desde sua entrada até o momento de sua saída. Em outras palavras, Melo et al. (2016) definem o termo como aquele em que projeta e conduz os recursos conforme os mesmos se movimentam pela cadeia de suprimentos.

Sua história, segundo Suski e Kurth (2018, p. 778), advém com o início da Revolução Industrial, quando em 1774, por conta do surgimento da primeira versão gráfica da estrutura de um produto, publicada por meio de uma propaganda feita pela fábrica de fogões Franklin. Já em 1880, ?[...] o Arsenal de Veneza apresenta o primeiro sistema completo de controle de estoques e produção, na construção de navios?.

Os tempos modernos surgiram e os sistemas de produção em massa pelas linhas de montagem ganharam vez, as quais, desenvolvidas por Henry Ford no início do século XX, acabaram por apresentar problemas relacionados à produtividade e estoques devido à alta produtividade. Outros avanços posteriores ocorreram, como a criação do lote econômico [1] em 1915, do cálculo do ponto de reposição estatístico em 1934, da definição da Material Requirement Planning ? traduzido para o português como demanda dependente por planejamento de necessidade de material ? (MRP), demanda independente pelo método de reposição estatístico (ROP) em 1965 e, ainda, com o Just-in-time, a partir de Taichii Ohno (ACCIOLY; AYRES; SUCUPIRA, 2008 apud SUSKI; KURTH, 2018).

Sendo assim, percebe-se que o setor do estoque, numa organização, sofreu muitas mudanças nas últimas décadas, inclusive por conta das alterações observadas no mercado. Trata-se de um procedimento mecânico mas que, com o atual uso de informações de tal controle é possível observar melhor determinados pontos, pelos quais pode-se envolver toda a cadeia de suprimentos ? uma visão chamada de gestão de estoques (FIIRST, 2016).

Isso pode ser corroborado por Suski e Kurth (2018, p. 778), ao afirmarem que ?as pequenas, médias e grandes empresas investem em alguma forma de sistema de gestão de estoques a fim de possibilitar o melhor controle das movimentações, bem como facilitar [sua] contabilidade [...]?.

Considerando que o estoque armazena todos os produtos indispensáveis à atividade da empresa (MELO et al., 2016), pode ser entendido como de suma importância para que esta obtenha desempenho, pois as operações dele decorrentes permitem alcançar a satisfação do cliente. Além disso, há de se considerar o investimento num setor de estoque, uma vez que, caso as peças ali armazenadas não sejam utilizadas, podem ficar na prateleira representando uma aplicação financeira sem retorno (MOURA, 2004 apud FIIRST, 2016).

Resumidamente, tem-se que o estoque atua como amortecedores das entradas e saídas entre ambas as etapas, fazendo com que os efeitos dos erros de planejamento e oscilações não previstas ? de oferta e procura ? sejam minimizados (OLIVEIRA, 2011).

Isso se deve ao fato de que as organizações vem adotando modelos que têm, por prioridade, uma produção com foco em reduzir custos e aumentar a qualidade, seja de seus processos ou de seus produtos. Quando há uma gestão de estoque, então, permite-se que haja uma minimização nos gastos e desperdícios (MELO et al., 2016).

Sendo assim, quando um gestor considera o estoque como parte de seus planos para traçar metas e objetivos concretos, a empresa consegue obter maiores lucros e satisfação do cliente. Sua gestão ocorre para que, de maneira eficiente, as organizações atinjam rentabilidade, por meio de redução de custos, prejuízos e erros no setor, o qual se torna possível pelo uso de ferramentas (MELO et al., 2016).

Ballou (2012 apud MELO et al., 2016) cita, por exemplo, a redução de custos logísticos quando de uma eficiente gestão de estoque, isto é, dependendo da intensidade com que este é utilizado, pode representar quase 60% dos gastos, enquanto que pode equivaler a 25% a 30% do custo total num período de um ano.

Para se conhecer a proporção que representa no Produto Interno Bruto (PIB) do país, a Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) apontou uma representação de 3,7% de custo para o setor de estoque, o que evidencia a preocupação das organizações em manter um bom giro e redução nos custos com mercadorias (DANTAS, 2015).

Portanto, segundo Betts (2008 apud OLIVEIRA, 2011), o estoque permite que operações obtenham vantagens num curto período de tempo, pois podem surgir oportunidades que implicam no aumento de itens no setor, mesmo quando não é preciso fazê-lo. Além disso, conforme Oliveira (2011), presta-se a atender necessidades futuras e gerenciar, a médio prazo, eventuais flutuações que podem ocorrer entre capacidade e demanda.

3.2. Curva ABC

Para Fiirst (2016), o método ABC é uma técnica bastante antiga, sendo que, utilizado para a gestão de estoques, prestou-se, desde sua origem, para auxiliar organizações a segregar produtos ou serviços conforme o volume de vendas e capital investido. Embora tenha sido adaptada para o mundo dos negócios, o método teve início a partir de Pareto, no intuito de explicar a forma com que a distribuição de renda e riquezas era realizada na Itália durante o fim do século XIX, período este em que, conforme Pinto (2002 apud OLIVEIRA, 2011), o economista percebeu que 20% da população concentrava 80% da renda. Voltado ao lucro da empresa, Suski e Kurth (2018) definem essa disparidade como a concentração de grande parte do retorno financeiro para poucos produtos.

Vale ressaltar, contudo, que o método de Pareto foi comprovado nos Estados Unidos da América (EUA) ? por meio da General Elétric (GE) ? após a Segunda Guerra Mundial. Desde então é que o sistema mostrou-se eficaz como instrumento de controle e gerenciamento de estoques (MOURA, 2004 apud FIIRST, 2016).

Segundo Oliveira (2011, p. 2):

O método da análise de classificação ABC é uma ferramenta que auxilia no gerenciamento de estoques, proporcionando informações relevantes sobre aqueles produtos que [têm] maior ou menor giro, relacionados com o custo de obtenção. É utilizada, também, para definição de política de vendas, planejamento da distribuição, programação da produção e resolução de uma série de problemas usuais de empresas industriais, comerciais ou de prestação de serviços. A curva ABC é uma ferramenta gerencial que permite identificar quais itens requerem atenção e tratamento adequados quanto à sua importância [...].

Seu uso, contudo, não refere-se somente ao uso empresarial, mas também às instituições hospitalares, por exemplo, como mostram os estudos de Silva, Mateus e Silva (2016) e Pontes (2013).

A curva divide-se nas categorias A, B e C por conta de sua relação com cada um dos itens de investimentos que são realizados em estoques. Sendo assim, primeiro visa-se ?[...] um tratamento adequado que identifica os itens mais significativos para a gestão financeira dos estoques?, pelo qual é possível dar mais atenção àqueles que proporcionam melhor desempenho na distribuição daqueles que serão estocados, já que procura-se por um custo benefício, ou seja, tempo versus dinheiro (MOURA, 2004 apud FIIRST, 2016, p. 103). Nesse sentido, a curva ABC mostra-se muito útil quanto ao planejamento da distribuição quando os itens do estoque agrupam-se ou classificam-se devido ao seu número de vendas (BALLOU, 1993 apud LYRA; LAZER, 2017).

Enquanto que os itens do grupo A representam pouca quantidade e grande valor, os do grupo B possuem quantias e valores intermediários. Por fim, os itens do grupo C são aqueles que representam muita quantia e pouco valor (MOURA, 2004 apud FIIRST, 2016). Em outras palavras, os itens são assim divididos por conta de seu grau de importância, maior valor agregado e rotatividade. Através da ferramenta, é possível determinar qual item oferece para a empresa maior custo benefício, bem como o item com o maior índice de desperdício de investimento (LYRA; LAZER, 2017).

Para sua realização, Dias (1995 apud OLIVEIRA, 2011) afirma que é preciso considerar alguns fatores importantes, ou seja, os critérios qualificadores numa análise ABC, que são: cuidados de armazenagem para um item, custos de falta de material e, por fim, mudanças de engenharia, isto é, de projeto. Para montar a curva, por sua vez, Martins (2006 apud OLIVEIRA, 2011) defende que sua construção deve-se dar da seguinte maneira: elaboração de tabela mestra, confecção de gráfico e, após, interpretá-lo, com identificação dos percentuais e quantia dos itens que foram envolvidos na análise ? separados estes por cada categoria ?, bem como seus respectivos valores.

Primeiramente, faz-se uma análise dos itens que compõem o estoque, um passo que é seguido pela descrição do produto, quantia que é vendida e a que preço. O valor total das vendas é calculado multiplicado a quantidade vendida pelo valor unitário por produto, sendo, posteriormente, colocados numa tabela, no intuito de, assim, obter a classificação ABC. Com isso, é possível obter o valor total de vendas por item e seu percentual em relação às vendas num todo (PEREIRA; VERNINI, 2017).

Vendrame (2008 apud PERITO; SCHNEIDER, 2016, p. 4) defende, nesse sentido, que alguns fatores sejam considerados para sua confecção, dentre eles:

  1. Comparar a quantidade de itens utilizados de acordo com o período analisado;
  2. Código ou a forma utilizada para a identificação do produto;
  3. Preço unitário dos produtos;
  4. [Cálculo] de valor de consumo total;
  5. Analisar os itens em forma de valor decrescente;
  6. Valor de Faturamento total.

Para entendimento de como essa confecção e montagem se dá, têm-se os exemplos das Tabelas 1 e 2, geradas a partir do estudo de Palomino et al. (2018), numa empresa localizada em Aracaju, que se referem, respectivamente, ao ordenamento de material ? e seu grau de importância ? e categoria em que os itens se classificam.

Tabela 1 ? Ordenamento e grau de importância do material no estoque

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Tabela 2 ? Categoria dos itens no estoque

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Por fim, tem-se, a partir dos estudos também de Palomino et al. (2018), o Gráfico 5 que forma a curva ABC ? realizada por meio das Tabelas 1 e 2 apresentadas anteriormente ?, apenas para melhor entendimento sobre a forma com que é confeccionado. Essa visualização gráfica, segundo Suski e Kurth (2018), identifica, de maneira decrescente, os grupos de maior interesse ? ou impacto ? num determinado contexto e o percentual de tais itens no montante que se verificou.

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Dessa forma, Silva, Mateus e Silva (2016) defendem que a administração eficiente de estoque, no sentido de evitar perdas de materiais e comprar somente o que for necessário, é um dilema vivido pelas empresas por conta do desafio que representa sua gestão, no entanto, quando por meio de ferramentas, as mesmas permitem classificar conforme seu custo e movimentação, tornando o controle eficaz.

Souza e Mello (2014, p. 6) complementam o supracitado, ao afirmarem que ?o estoque agrega valor de tempo ao produto, pois envolve a disponibilidade do mesmo a ser entregue para o consumidor final?. Sendo preciso mantê-lo, é um desafio à empresa para administrá-lo, já que é necessário manter o nível adequado de itens por um alto custo mas que, ao mesmo tempo, tem de estar disponível para ofertar ao cliente.

3.3 Casos em que a Curva ABC auxiliou na gestão de estoque

Para Palomino et al. (2018), a curva ABC permite que a organização conheça suas reais necessidades a respeito de materiais que representam maior consumo. Nesse sentido, o que se busca é o equilíbrio entre o que é necessário e a disponibilidade do recurso. A partir de sua análise, torna-se possível planejar o suprimento de estoque focando aqueles itens que são essenciais para manter a empresa em funcionamento.

Sendo assim, vários são os estudos realizados tendo por base seu uso em empresas de variados portes, como os que seguem adiante melhor explanados.

3.4. Região Sul

Fiirst (2016) afirma que a economia do Brasil se encontra estável, considerando, inclusive, que a aquisição de veículos automotores evoluiu, nos últimos anos. Nesse sentido, gerenciar o estoque de um segmento em que se comercializa peças automotivas representa uma lucratividade e sobrevivência no mercado da empresa que atua no ramo.

Sendo assim, Fiirst (2016) realizou uma pesquisa numa loja varejista do ramo, localizada na cidade paranaense de Cascavel, no ano de 2011. Há 20 anos no mercado, possui cinco funcionários e um gerente, no entanto, por meio das entrevistas realizadas no estudo, foi possível perceber que o controle de estoques não conta com planejamento em relação às decisões, não faz uso de indicadores de acompanhamento e o software de que se utiliza é apenas para fornecer informações relacionadas aos pedidos de vendas.

As compras, realizadas pelo proprietário, representam um total de 40 mil itens. Classificando-os de acordo com o método ABC, percebe-se que que há necessidade de transformar a atual forma com que trabalham, pois não dispõem de informações que os auxiliem nas vendas. As peças, nesse caso, inclusivem representam geralmente perdas se adquiridas em grandes quantias que não serão usadas, dado o avanço da tecnologia que rapidamente faz com que os itens mais antigos sejam ultrapassados (FIIRST, 2016).

O estudo de Perito e Schneider (2016), por sua vez, realizou-se no município catarinense de Urussanga, tendo por base uma empresa que atua no ramo de fabricação de esquadrias de alumínio. Funcionando desde 1979, a organização apresenta um total de 1,2 mil funcionários diretos. O setor de estoques possui problemas com a identificação e localização de itens, divergência entre o controle físico e registro, bem como atrasos na separação e de entrega para a produção. Embora tenha sido instalado um sistema para controlar a saída e entrada de materiais, os funcionários desconhecem seu funcionamento.

Antes da reestruturação do setor, haviam quase 650 itens ? em grande parte obsoletos ?, mas, com as ferramentas de gestão, como a classificaçao ABC, o estoque passou a contar com 208 itens. Por meio de um levantamento de dados, foi possível definir quais deles apresentava maior rotatividade, que seriam os de categoria A e B. Sendo assim, dentre os 208 itens em estoque, 42 deles se enquadravam na primeira classificação, a segunda correspondia a 62 itens e, por fim, a C continha 104 materiais. Em resumo, 147 materiais se encontravam em uma quantia superior à necessária para a organização, totalizando um valor de R$ 4.297.372,56 (PERITO; SCHNEIDER, 2016).

Por meio da avaliação reailzada pela curva ABC, foi possível obter melhor conhecimento a respeito dos valores entorno dos excessos, os quais correspondiam a 4.053.910,00 de unidades, o que acabou por contribuir com aqueles itens que seriam comprados mas que, na realidade, não seriam necessários, já que se encontravam em estoque. O estudo também propiciou conhecer o valor monetário que a organização deixava de arrecadar, pois não haviam cálculos referentes à identificação. Com a pesquisa, foi possível, então, sanar seus principais problemas: a falta de acuracidade e ausência de planejamento no que concerne à organização de estoque (PERITO; SCHNEIDER, 2016).

Um exemplo de sucesso quanto ao uso da curva ABC, dentre outros modelos de gestão que a complementam, é o da empresa de bebidas, em especial com utilização de uvas. Embora apresente algumas falhas no que concerne à distância em que se encontram o centro de produção de matéria-prima e o de fabricação ? fazendo com que leve mais tempo para sua chegada ?, os benefícios que obteve foi de estar preparada para momentos inesperados, imprevisíveis e anormais. Além disso, a gestão por meio da curva ABC lhe propiciou uma melhora de quase 30% no padrão e qualidade dos fornecedores (SANTOS et al., 2012).

Soratto (2014), por fim, cita o estudo que realizou em outro município catarinense, o de Cricíuma, que ocorreu entre os meses de novembro de 2013 e abril de 2014, numa loja que comercializa insumos metalúrgicos. Os itens da categoria A representam 30% dos produtos mantidos em estoque, sendo que correspondem a 53,89% do total de registro de saída da empresa. Os da categoria B representam igualmente 30% dos itens do estoque, com um total de 31,86% da saída, ao passo que os classificados na C, dados como de menor importância, representam 40% dos produtos apurados, com uma representação de saída em 14,25% do total.

No entanto, vale ressaltar que metade dos itens apresentaram divergência entre o estoque físico e o do sistema, revelando uma considerável disparidade nos dados. Dentre os pontos positivos, destaca-se que, ao manter o método em uso, evitou-se estoque elevado e permitiu que este fosse mais proporcional aos itens que lhe são importantes, além disso, a empresa buscou fornecedores que atendessem melhor suas necessidades, no que diz respeito ao prazo de entrega (SORATTO, 2014).

3.5. Região Sudeste

Lyra e Lazer (2017) realizaram um estudo em uma empresa do ramo de concessionária de veículos, localizada na cidade paulista de Botucatu. Para isso, contaram com material disponibilizado pela empresa para obter os resultados, sendo que a análise ocorreu durante os meses de junho e setembro do ano de 2016. As categorias A, B e C possuem, respectivamente, 70, 92 e 112 itens, os quais venderam, nessa ordem, um total de 6.113, 3.440 e 576 unidades no período estudado. Recomendou-se que a empresa faça uso de ferramentas que lhe permitam evidenciar a importância dos itens e defina suas prioridades, isso porque possuem um volume médio de itens no estoque e com um capital estrito.

Um estudo realizado na mesma cidade, sob a perspectiva de Pereira e Vernini (2017), visou uma loja de materiais de construções que, entre os meses de agosto de 2016 e agosto do ano seguinte apresentou seus resultados, pelo quais evidenciou-se que, até então, a organização não conhecia o método, portanto, mostrou-se de suma importância dele fazer uso para controle de seu estoque. Considerando que seus materiais essenciais como tijolo, cimento, areia, cal, treliças e ferro representam custos significativos, sua gestão estratégica é necessária.

Isso porque, segundo Dantas (2015), o gestor precisa se fazer ciente da quantia de mercadoria de que dispõe em seu estoque, bem como sua rotatividade, pois, quando nesse caso, mostra-se atento à competitividade comercial, fazendo-se uso de inovações que garantam a satisfação de seu cliente.

O estudo de Souza e Mello (2014) teve por base uma empresa de embalagens, chamada Tito, que se localiza na cidade paulista de Lins. Há quase 20 anos no mercado, a organização não possui controle de estoque pela curva ABC, portanto, desconhece os itens que deve dar mais importância, quais precisam ser adquiridos primeiro ou, ainda, quais que se encontram esgotados e podem aguardar pela compra. Embora de maneira rudimentar, utilizam-se da experiência na loja para adquirir aqueles que mais precisam ? mesmo que em menor quantia. Não possuem, portanto, estoque de segurança e ponto de pedido, fatores estes que se mostram preocupantes para a gestão de estoque devida. Quase sempre, inclusive, é preciso fazer reposição em caráter emergencial, e o tempo de espera por vezes é de mais de 30 dias. Sem profissional especializado para auxiliá-los, não contam também com armazenagem organizada, o que acabaria por otimizar seu processo de venda.

Repor o material fica, por vezes, de responsabilidade do colaborador, que algumas vezes não menciona a falta de produto ou acaba esquecendo de fazê-lo, sendo observado somente quando no ato da compra pelo cliente. Como quase que toda semana realizam o mesmo procedimento, perdem a margem de lucro para repassar ao consumidor. Por não contarem com um sistema de gestão de estoque, também desconhecem o quanto perdem por produtos vencidos, quanto possuem de itens obsoletos e o custo de armazenagem (SOUZA; MELLO, 2014).

Souza e Mello (2014) destacam, ainda, o fato do estoque não possuir certa organização, o que dificulta, para o vendedor, localizar o produto em meio a muitos outros estocados. Para Souza et al. (2007), esse é um erro bem comum, no entanto, há perda de tempo na tentativa de encontrá-lo. É da responsabilidade do funcionário manter a acuracidade dos dados do estoque, já que este é o que passa mais tempo movimentando os itens, arranjando o layout e fazendo verificações do estado físico em que se encontram, no espaço da loja.

3.6. Região Nordeste

Um estudo voltado à concessionária de veículo foi o de Melo et al. (2016), que realizou-se entre os meses de julho e dezembro de 2015. Instalada na cidade pernambucana de Caruaru desde 2009, o estudo focou a prática do uso de curva ABC para análise das melhorias que trouxe à empresa. A organização oferta veículos, serviços e peças com um portfólio de mais de 2 mil itens.

A partir da pesquisa, verificou-se que 10,71% dos itens representam 70,91% do valor total acumulado movimentado pelo setor de estoque, estando estes classificados na categoria A. O grupo B, por sua vez, conta com um percentual de 22,2% dos itens com uma representação de 19,93% do valor monetário total acumulado pelo mesmo setor. Por fim, o grupo C apresenta 67,26% dos itens armazenados, representando, assim, um valor monetário total acumulado movimentado no estoque de 9,16%. Portanto, a empresa faz uso eficiente da ferramenta, pela qual é possível ?[...] identificar quais são os produtos de maior giro, os que demoram um pouco mais, além de verificar o índice de obsolescência desses produtos?. O sistema dispensa a realização de cálculos pelo gestor, fazendo com que, assim, se otimize o trabalho de controle, haja diminuição do tempo e aumente a produtividade (MELO et al., 2016, p. 12).

A pesquisa realizada por Palomino et al. (2018) considerou uma pequena empresa localizada na capital sergipana Aracaju, a qual, voltada para o ramo alimentício, foi avaliada sob a perspectiva de aplicar a curva ABC para controle de seu estoque ? até então inexistente na organização. Dentre os 16 itens que possui para funcionamento de sua atividade, foi possível, por meio da confecção da tabela e gráfico, delinear quais deles representam maior importância e custo, permitindo, assim, que a empresa conheça os itens que requerem melhor administração financeira.

Dantas (2015), por sua vez, realizou sua pesquisa num supermercado de Caicó ? município localizado no Rio Grande do Norte (RN) ?, por meio de busca nos relatórios empresariais, observações e coleta de dados. Com quase 40 funcionários, a empresa atua no mercado há 29 anos. Algumas das falhas observadas foram a falta de vigilância de produtos estocados ? gerando desvios e roubos ?, avarias, compra desnecessária de materiais e falta de compra daqueles que seriam importantes, o que implicou na ausência de venda ao cliente. Dentre alguns dos pontos críticos encontrados, destacam-se os seguintes:

Para Santos et al. (2012), tais pontos críticos ? dentre outros fatores na gestão de estoque ? podem ser sanados por meio da melhoria no controle, fazendo com que a empresa organize suas necesidades para que, enquanto não falte itens, também os mesmos não lhe representem um excesso ? ambos os casos correspondendo a uma geração de custos.

Diante dos casos apresentados, pode-se perceber que os passos não são muitos para realizar a curva ABC, numa empresa, mas que por vezes não é aplicada por falta de conhecimento. Isso pode ser corroborado pelo que afirma Dantas (2015), ao citar que o controle constante do estoque lhe previne quanto às incertezas, portanto, quando o gestor tem conhecimento do que há no espaço físico de sua organização, pode-se evitar compras não necessárias e atender, ao mesmo tempo, as necessidades de seu cliente, sem prejudicar, com isso, suas compras.

Portanto, para Soratto (2014), fazer uso da curva ABC mostra-se um passo importante para agir na melhoria do desempenho do estoque, pois os custos investidos no setor são reduzidos, assim como na seção operacional.

4. Conclusão

Ao longo da história humana, foram muitas as mudanças que ocorreram em meio à civilização para sua evolução, sendo uma das mais observadas a que ocorreu no campo da indústria. Isso porque a empresa contou com vários passos até chegar ao seu conceito atual, em que muitos aspectos são considerados para otimização de seu processo. Um dos que mostra destaque, por conta de capital investido e organização empresarial, é o estoque, pelo qual muito se traduz em eficiência e melhoria numa organização.

Sua gestão mostra-se essencial para trazer desempenho satisfatório à empresa e redução de custos, bem como de agilização no processo em separação e entrega de itens e, ainda, controle dos que se encontram estocados. Quando bem realizada, a gestão permite que a empresa obtenha vantagem competitiva num mercado cada vez mais acirrado.

A curva ABC, nesse sentido, é uma ferramenta que em muito auxilia a gestão de estoque, já que considera o valor monetário dos itens, a quantia vendida, a importância que os mesmos apresentam e o percentual de representação dentre todos os materiais estocados.

No entanto, ao estudar os vários casos citados das Regiões Sul, Sudeste e Nordeste ? mesmo que poucos em relação aos muitos que devem constar publicados a respeito do assunto ?, foi possível perceber que ainda há certo desconhecimento a respeito da ferramenta ou da forma com que deve ser utilizada. Mesmo quando se faz uso da curva ABC, o que se percebe é uma divergência entre o controle físico e do registro, há desvio de itens por falta de vigilância, sua saída se dá de maneira errada, falta identificação, sua localização por vezes é dificultada pela má organização do ambiente, os funcionários não contam com uma adequada comunicação para informar a falta de algum material, é preciso repor com emergência, o prazo de entrega pelo fornecedor é demasiado longo e há, por vezes, até mesmo falta de margem de lucro para o vendedor.

Sendo assim, são muitos ainda os pontos críticos que interferem para uma gestão de estoque adequada, numa organização. Se com o devido uso da ferramenta ABC, conhecimento completo de seu funcionamento, pessoal capacitado para realizá-lo e aplicação constante, a empresa pode obter ganhos satisfatórios a curto, médio e longo prazo, mas, para isso, é preciso priorizar ações que tornem isso possível. Portanto, quando a mesma fizer uso de uma ferramenta que possa lhe auxiliar, pode conquistar maior fatia de participação no mercado, reduzir seus custos, otimizar seus processos, obter qualidade do fornecedor e, principalmente, satisifação do seu cliente ? motivo de sua existência pelo qual se obtém lucro.


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